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Projeto de energia solar em Fernando de Noronha é alvo de críticas por desmatamento e falta de diálogo

Projeto de energia solar é criticado por moradores e ambientalistas de Noronha O Projeto Noronha Verde, que vai promover a troca da matriz energética de Ferna...


Projeto de energia solar em Fernando de Noronha é alvo de críticas por desmatamento e falta de diálogo
Projeto de energia solar em Fernando de Noronha é alvo de críticas por desmatamento e falta de diálogo (Foto: Reprodução)

Projeto de energia solar é criticado por moradores e ambientalistas de Noronha O Projeto Noronha Verde, que vai promover a troca da matriz energética de Fernando de Noronha, tem sido alvo de questionamentos de moradores da ilha. A iniciativa é da Neoenergia e prevê um investimento de R$ 350 milhões, com a instalação de mais de 30 mil painéis solares e sistemas de armazenamento de energia em baterias. Representantes de entidades locais e ambientalistas questionam a necessidade de retirada de vegetação para a instalação dos equipamentos, além da redução de áreas destinadas ao cultivo de alimentos (veja vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Placas solares também foram instaladas no Açude Xaréu Neoenergia/Divulgação Os moradores também cobram explicações sobre a falta de utilização dos telhados de imóveis já existentes para a instalação das placas solares. O andamento do projeto tem gerado debate entre os moradores. Os equipamentos das novas usinas solares devem ser instalados em áreas cedidas pela Aeronáutica, pela Administração da Ilha e pela Associação de Agricultores Noronha Terra. A primeira etapa do projeto já foi licenciada pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), com anuência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e aprovação da Administração de Noronha. Moradores e ambientalistas questionaram a redução de árvores para instalação dos equipamentos Ana Clara Marinho/TV Globo Moradores O presidente da Assembleia Popular Noronhense (APN), Nino Lehnemann, afirmou nesta segunda-feira (9) que a troca da matriz energética é positiva. No entanto, ele disse não entender por qual motivo os telhados de casas e empresas não foram incluídos no projeto. Segundo ele, a própria Neoenergia não utiliza o telhado da sede da empresa para a instalação de placas solares. “A Neoenergia tem uma área enorme e não usa para a matriz energética, principalmente solar. Enquanto isso, vai utilizar terrenos da ilha para os equipamentos, áreas que poderiam ser usadas para outras finalidades”, afirmou. Nino Lehnemann sugeriu alternativas para o projeto. “Poderiam ser usados os telhados de prédios públicos, pousadas, grandes construções e residências. Isso seria economicamente melhor para os moradores da ilha. O projeto atual pode ser bom para vender energia, mas não traz benefícios diretos para a população. A energia será limpa, mas não vai gerar economia para o morador”, disse. Reunião tumultuada A Neoenergia realizou uma reunião na quinta-feira (7) para apresentar as contrapartidas socioambientais previstas no Projeto Noronha Verde. As propostas não foram bem recebidas. Durante a apresentação dos mapas com os locais previstos para a instalação das placas solares, as manifestações contrárias aumentaram. O coordenador do Projeto Golfinho Rotador, José Martins Júnior, também defendeu a instalação de placas solares nos telhados das casas. “Isso poderia ajudar a reduzir a conta de energia da comunidade. Seria um grande avanço, não apenas ambiental, mas também socioeconômico”, afirmou. Moradora do bairro da Coreia, Ana Paula Silva criticou a retirada de árvores para a implantação do projeto. “Não vemos um processo de reflorestamento na ilha. Fico revoltada quando vejo essa área sendo usada para instalar placas. Será necessário abrir caminhos, e isso vai causar desmatamento. Se eu remover uma árvore, a polícia bate na minha porta”, afirmou. Representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) foram questionados por terem dado anuência à etapa inicial do projeto. Segundo a chefe do ICMBio, Lilian Hangae, houve negociações para evitar o uso de áreas contínuas e do Parque Nacional Marinho. “Para o uso da área dos agricultores do Noronha Terra, será necessária uma contrapartida, como a recuperação do açude, instalação de cercas, entre outros pontos. O acordo ainda não foi firmado. Enquanto isso não acontecer, não temos como apoiar”, declarou. O que diz a Neoenergia A Neoenrgia informou em nota que o Projeto Noronha Verde o Projeto Noronha Verde prevê a substituição da geração de energia elétrica de Fernando de Noronha por fontes renováveis, com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes e preservar o meio ambiente da ilha. A iniciativa é liderada pela Neoenergia e busca acabar com o uso de combustíveis fósseis no arquipélago. Para isso, o projeto propõe a instalação a instalação de mais de 30 mil painéis solares em um sistema centralizado. Segundo a Neoenergia, esse modelo permite que a energia gerada seja enviada diretamente para a rede de alta tensão, garantindo o funcionamento adequado do sistema elétrico da ilha. A empresa afirmou que a instalação de placas solares em telhados de imóveis, como sugerido por moradores, não é tecnicamente viável. Isso porque os sistemas individuais atenderiam apenas residências específicas, ligadas à rede de baixa tensão, sem capacidade de abastecer todo o arquipélago. A Neoengia informou ainda que o Projeto Noronha Verde foi analisado e aprovado pelo Ministério de Minas e Energia. Durante o processo, órgãos ambientais realizaram audiências públicas para apresentar os detalhes da proposta. Também foram abertas consultas públicas, com acesso a todo o material técnico, para garantir a participação da população. Além disso, outras ações complementares estão em andamento, com foco na melhoria dos serviços e no desenvolvimento da ilha, envolvendo moradores, setores produtivos e a comunidade local. O g1 entrou em contato com a com a CPRH e com a Administração de Fernando de Noronha para questionar a cessão de terras e critérios para aprovação do projeto. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias o